quinta-feira, 29 de julho de 2010

FALSO DEMOCRATA

“LULA É UM FALSO DEMOCRATA”; O “MITO LULA” PASSA POR UMA INCRÍVEL DESVALORIZAÇÃO NO MUNDO



Alejandro Aguirre, presidente da Sociedade Interamericana de Imprensa, que reúne 1300 jornais, fez ontem uma crítica ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que vocês já devem ter visto em algum lugar… Segundo Aguirre, ele integra aquele batalhão de governantes que usam os mecanismos da democracia para solapar a própria democracia. Acusou ainda o brasileiro de proximidade com ditadores. Para Aguirre, o governo Lula está entre aqueles que “usaram leis no Congresso, ameaças, subornos, publicidade oficial e atos judiciais sumamente arbitrários” para atacar a liberdade de imprensa.

Não sei qual será a duração do “Mito Lula” no ambiente interno. No externo, sua figura passou por uma fabulosa desvalorização. Chegou a ser visto como um príncipe. Mas já voltou a ser um sapo — de tanto beijar a mão suja de sangue de facínoras. E o mundo democrático também se escandaliza com a sem-cerimônia com que ele decidiu fazer da política brasileira um assunto privado, quase pessoal. Leiam o texto do Estadão:

Por Denise Chrispim Marin, no Estadão:
O presidente da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), Alejandro Aguirre, qualificou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um dos “falsos democratas” da região. Ao fim de uma reunião do comitê executivo da SIP, que agrega 1.300 meios de comunicação, ele argumentou que Lula se omitiu diante da censura ao Estado.

A censura foi imposta ao jornal pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF) e está em vigor desde 31 de julho do ano passado. A proibição de veiculação de notícias sobre a Operação Boi Barrica, da Polícia Federal, foi motivada por um pedido do empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PDMP-AP). “(A censura ao jornal) não foi denunciada pelo governante”, acusou Aguirre, que também representa na SIP o Diário Las Américas, de Miami.

Vínculos. Aguirre afirmou que o caráter de “falso democrata” de Lula não se limita a esse episódio. Essa condição, argumentou, tornou-se evidente com a estreita relação do presidente brasileiro com os irmãos Fidel e Raúl Castro, de Cuba. Também é justificada pelos vínculos de Lula com líderes eleitos democraticamente, mas que “estão se beneficiando da fé e do poder que o povo neles depositou para destruir as instituições democráticas”.

“Esses governos não podem continuar a se chamar de democráticos. O voto é componente sumamente importante na democracia, assim como a atuação dos governantes”, afirmou. “Eu vi governantes com uma grande delicadeza com o presidente Castro, o que representa um grande apoio moral a esse governo, que violou os direitos humanos por meio século”, completou Aguirre, ao ser questionado especificamente sobre sua avaliação de Lula.

O presidente da SIP ainda incluiu o governo Lula na lista dos que “atacam” os meios de comunicação, composta originalmente pelas administrações de Hugo Chávez, da Venezuela; de Cristina Kirchner, da Argentina; de Rafael Correa, do Equador; de Evo Morales, da Bolívia; de Daniel Ortega, da Nicarágua, e de Porfírio Lobo, de Honduras. “Esses governos usaram leis no Congresso, ameaças, subornos, publicidade oficial, atos judiciais sumamente arbitrários. Esses fatos são públicos”, declarou. Até o fechamento deste edição, o governo brasileiro não tinha se manifestado sobre as declarações de Aguirre.

Argentina. Em seu relatório trimestral, divulgado ontem, a SIP condenou a “campanha sistemática” movida por setores próximos ao governo Kirchner para desmoralizar o jornal Clarín e seus profissionais. Também assinalou como preocupantes a iniciativa do governo equatoriano de lançar uma campanha agressiva contra os meios de comunicação independentes, durante a Copa do Mundo, e a recente denúncia do governo da Guatemala de que reportagens publicadas pela imprensa seriam um atentado contra a segurança do país.

Na quinta-feira, em encontro com representantes da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, em Washington, a SIP reclamou da “incompreensível” decisão judicial que censura o Estado. Também renovou suas denúncias contra atitudes do governo Chávez.

Especificamente Aguirre, tratou de dois casos recentes - a decretação da prisão preventiva do presidente da emissora de televisão venezuelana Globovisión, Guillermo Zuloaga, e a condenação à prisão do colunista do jornal El Carabobeño, Francisco Pérez, sob a acusação de ofensa e injúria a um funcionário público.

Por Reinaldo Azevedo - 17/07/2010 às 6:43
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/tag/lula/

SARNEY É A DILMA ESCRITA



BAÚ DE PRESIDENTES

23/07/2010 às 22:28 \ Baú de Presidentes
Celso Arnaldo: Sarney é a Dilma escrita


A seção Baú de Presidentes tem a honra de hospedar outro texto do excelente Celso Arnaldo. Depois de ler o artigo de José Sarney na Folha desta sexta-feira, o caçador de cretinices cumpriu o dever de enquadrar exemplarmente o pior escritor do mundo. E resumiu o que pensa neste recado ao colunista. Não perca:

Você acha que a Roseana lê o pai? O Lula lê o amigão de infância? (bem, o Lula não lê nada desde a infância, quando já era analfabeto). O Otávio Frias lê Sarney? O Cony, o Jânio de Freitas? Marcos Vilaça, presidente da Academia Brasileira de Letras de onde Sarney é decano, acorda mais cedo às sextas-feiras para ler Sarney? Lembra-se você de alguma carta do Painel do Leitor da Folha, nos últimos cinco anos, comentando o artigo do Sarney?

Não. Sarney é um escritor fantasma, um ghost writer de si mesmo. Elabora os piores textos assinados da imprensa brasileira para um leitor invisível. Mas é um fantasma muito dispendioso. A Folha solta no mínimo 300 mil exemplares numa sexta-feira. Multiplique isso por uma tira que ocupa um quinto de uma página e calcule, por alto, o prejuízo que é Sarney.

Pense bem: no fundo, Sarney escreve para nós dois. Lemos Sarney, com um prazer quase sádico, e uma evidente ponta de masoquismo, por um viés profissional. Acostumados que estamos, há décadas, a ler e revisar textos com os mais variados graus de domínio da língua portuguesa, as mais estranhas sintaxes, é certo que nunca lemos nada igual a Sarney – ele é a Dilma escrita.

Por isso Sarney nos fascina, a ponto de deixarmos de lado as mais relevantes questões nacionais para nos debruçarmos sobre o artigo dele das sextas-feiras.

Condicionado a ler jornais de trás para diante desde que me conheço por gente, às sextas inverto o percurso. Vou ansiosamente para a página 2, direto para Sarney. E confesso que me frustro quando, muito raramente, o artigo não está suficientemente ruim. Hoje, não – com você demonstra com esta amostra internada no Sanatório.

É Sarney puro, com aquele DNA que combina um pendor irresistível para o butim do erário público, que é hereditário, com uma absoluta incapacidade de juntar duas palavras na ordem certa, que não é atributo de qualquer outra pessoa que se apresente como escritor e é membro do mais cobiçado silogeu das letras brasileiras.

Para escancarar o fenômeno que é Sarney diante das letras de um teclado, escolha-se qualquer parágrafo do artigo de hoje. Uni-duni-tê, o escolhido foi você:

– Já tivemos várias classificações do brasileiro. Há os que o acham brincalhão, outros preguiçoso, alguns aloprado e Sergio Buarque de Holanda escreveu um livro célebre e referencial, Raízes do Brasil, para descobrir o brasileiro cordial, embora o cordial citado não seja como se concebe.

O pensamento em si, e no todo, não tem a menor importância –- esse sociologês do Sarney é sempre rasteiro. Mas sob a pena do escritor fantasma, as palavras se assombram e se rechaçam umas às outras, como um bando de poltergeists, eventos sobrenaturais que, nesse caso, se manifestam deslocando fonemas e fazendo ruídos assustadores na comunicação. Acredita-se que o foco dessa perturbação é uma criança na fase da puberdade. Quem escreve os artigos da Folha deve ser o menino Zé do Sarney, de Pinheiro, que já dominava as primeiras letras e nunca foi além delas.

Releia o trecho acima: ele pode ser desmembrado em diversos dessas entidades:

– Classificações do brasileiro

– Outros preguiçoso

– Alguns aloprado

– O cordial citado

– Não seja como se concebe

O escritor fantasma assusta, mas diverte. Sarney é o Pluft de Pericumã.

BAÚ DE PRESIDENTES

23/07/2010 às 22:28 \ Baú de Presidentes
Celso Arnaldo: Sarney é a Dilma escrita
http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/secao/bau-de-presidentes/

ÓPERA DOS MALANDROS!




1989. Lula e Collor estão num estúdio de televisão, em bancadas próximas. Há um apresentador entre eles. O cenário informa que se trata de um debate eleitoral)
Lula: Meu adversário representa a elite exploradora. É moço na aparência, mas representa o Brasil antigo, o Brasil velho, o Brasil que precisa acabar.
Collor: O outro candidato defende abertamente a luta armada, a invasão de casas e apartamentos. (Vira-se para Lula). Você é um cambalacheiro. Fez cambalacho com o Sarney.
Lula: O Sarney é um incompetente, incapaz. Mas se quiser pode votar em mim. (Vira-se para Collor). Você também pode. Mas mesmo assim eu não teria nada de parecido com você.
Collor: Você não saba a diferença entre uma duplicata e uma fatura. É um ignorante.

(1989. Lula está sozinho num estúdio de TV. O cenário mostra que se trata do programa eleitoral do PT)
Lula: Meu adversário é o candidato dos corruptos. Ele representa a elite que sempre explorou os pobres do Brasil.

(1989. Collor está sozinho num estúdio de TV. O cenário mostra que se trata do programa eleitoral do PRN)
Collor: Não sou eu quem diz que Lula quis forçar o aborto. Quem diz é Miriam Cordeiro, mãe da Lurian.

(1992. Lula está num estúdio de rádio ao lado de um jornalista. O jornalista pergunta se tem pena de Collor. O entrevistado responde com voz pausada)
Lula: Tenho pena do Collor. Não é que eu tenho pena. Como ser humano eu acho que uma pessoa que teve uma oportunidade que aquele cidadão teve de fazer alguma coisa de bem para o Brasil, um homem que tinha respaldo da grande maioria do povo brasileiro, ou seja. E ao invés de construir um governo, construir uma quadrilha como ele construiu, me dá pena, porque deve haver qualquer sintoma de debilidade no funcionamento do cérebro do Collor. Efetivamente eu fico com pena, porque eu acho que o povo brasileiro esperava que essa pessoa pudesse pelo menos conduzir o país, se não a uma solução definitiva, pelo menos a indícios de soluções para os velhos problemas que nós vivemos. Lamentavelmente a ganância, a vontade de roubar, a vontade de praticar corrupção, fez com que o Collor jogasse o sonho de milhões e milhões de brasileiros por terra. Mas de qualquer forma eu acho que foi uma grande lição que o povo brasileiro aprendeu e eu espero que o povo brasileiro, em outras eleições, escolha pessoas que pelo menos eles conheçam o passado político”.

(2005. Collor está numa sala de sua casa em Maceió, ao lado de um jornalista)
Collor: O mensalão mostrou quem são os corruptos, os ladrões do país. Eles hoje estão no governo. O Lula é o chefe.

(2007. Lula está cercado de jornalistas numa sala grande no Palácio do Planalto)
Lula: O senador Fernando Collor tem tudo para fazer um grande mandato.

(2009. Claramente irritado, Collor está na tribuna do Senado)
Collor: Nenhum ataque ao presidente Lula ficará sem resposta!

(2009. Lula e Collor estão juntos num palanque em Alagoas)
Lula: Tenho de agradecer o companheiro Fernando Collor pelo bom trabalho que está fazendo.

(2010. Num palanque em Maceió, Lula, Collor e Dilma Rousseff estão de mãos dadas, dançando e cantando, em coro com a plateia, o refrão do jingle da campanha do candidato a governador de Alagoas)
Todos: É Lula apoiando Collor,/é Collor apoiando Dilma/pelos mais carentes./É Lula apoiando Dilma,/é Dilma apoiando Collor/para o bem da nossa gente.

Vinte anos depois da cena inicial, Collor ajuda Lula a tentar eleger a sucessora e Lula ajuda Collor a reiniciar a aventura que resultou, entre outras obscenidades, no confisco da poupança, na roubalheira medonha e no despejo vergonhoso. A ausência de valores morais e princípios éticos é o traço comum que permitiu a dois sessentões descobrirem só agora que foram amigos de infância. A Ópera dos Malandros encontrou a apoteose mais que perfeita.


Coluna do Augusto Nunes
http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/opera-dos-malandros-2/
23/07/2010 às 20:38 \ Direto ao Ponto