Depois de o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) condenar o discurso de José Sarney (PMDB-AP) contra O Estado de S.Paulo, Pedro Simon (PMDB-RS) subiu à tribuna e declarou "entender a mágoa do presidente do Senado".
"Mas eu não posso aceitar, silenciosamente, as agressões feitas ao jornal O Estado de S. Paulo. Eu não analiso o fato em si, essa do apartamento, embora a maioria dos fatos que têm sido apresentados por O Estado de S. Paulo são fatos investigados pela Polícia Federal. A Polícia Federal do Presidente Lula é que fez o levantamento. E todo esse dossiê que vem sendo publicado veio da Polícia Federal", observou o senador gaúcho.
Para ele, Sarney não tem mais condições de fazer as mudanças necessárias no Senado e voltou a pedir a renúncia: "Pode estar tudo errado sobre o apartamento. Mas o senador Sarney diz que é amigo da liberdade de imprensa. Pois eu aprendi muita receita de comida nas páginas do Estadão durante a Ditadura. O Estado de S.Paulo é um patrimônio desse País", disse o parlamentar.
"Se ele (Sarney) não renunciar, horas muito dramáticas vamos viver", disse. "Se alguém pensa que é só o Conselho de Ética arquivar as representações (contra Sarney) e tudo terminou, não terminou", ressaltou.
O senador criticou ainda a decisão do desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, que botou O Estado de S. Paulo sob censura em relação à investigação da Polícia Federal contra Fernando Sarney, filho do presidente do Senado. "O ilustre desembargador, amigo pessoal do presidente, veta", afirmou, lembrando que o jornal estava reproduzindo apenas informação que constam de um inquérito policial.
Ele voltou a pedir a saída de José Sarney da presidência do Senado e complementou: "Essa Casa está pior do que o inferno. "Eu nunca vi essa casa se rebaixar ao ponto em que está. E quer ganhar no grito?". De acordo com Simon, "parece que ele (Sarney) prefere ver o Senado cair em cima das nossas cabeças ao invés de renunciar".
O senador criticou ainda a decisão do desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, que botou O Estado de S. Paulo sob censura em relação à investigação da Polícia Federal contra Fernando Sarney, filho do presidente do Senado. "O ilustre desembargador, amigo pessoal do presidente, veta", afirmou, lembrando que o jornal estava reproduzindo apenas informação que constam de um inquérito policial.
Para o senador gaúcho, o fato de o presidente Lula exigir que a bancada do PT afaste dois titulares do partido no Conselho de Ética "significa o fim do velho PT". "A única coisa que o presidente Sarney não diz é que ele quer esclarecer tudo. Eu me solidarizo com o presidente Sarney, mas também me solidarizo com O Estado de S.Paulo", completou.
O senador Cristovam Buarque (PDT-DF), que discursou antes de Simon, também defendeu que Sarney deva ser investigado pelo Conselho de Ética a fim de que as denúncias contra ele sejam esclarecidas. Segundo o senador, esse seria o único meio de Sarney desmentir o jornal O Estado de S. Paulo, que no último domingo publicou reportagem informando que três dos dois apartamentos ocupados pela família em São Paulo, na região do bairro Jardins, estão em nome da empresa Holden, antes batizada de Aracati Construções, Assessoria e Consultoria Ltda.
Rodrigo Alvares - estadao.com.br
terça-feira, 18 de agosto de 2009
CRISE NO SENADO. E não é de hoje!!
Empreiteira reconhece que comprou o imóvel
18 de agosto de 2009
Quatro horas depois de José Sarney (PMDB-AP) dizer nesta segunda-feira, no plenário do Senado, que fora alvo de uma denúncia "irresponsável" e "sem provas" no fim de semana, a empresa Holdenn Construções Assessoria e Consultoria Ltda. admitiu, em nota, manter uma relação de favores com a família do senador. No domingo, o jornal O Estado de S. Paulo informou que a Holdenn negociou e pagou dois apartamentos usados pelo clã Sarney em São Paulo. Na nota, assinada pelo empresário e amigo da família Rogério Frota de Araújo, a empreiteira admite que comprou o apartamento número 22 do edifício Solar de Vila América, na Alameda Franca, 1.581, nos Jardins.
A empresa afirma que, depois da compra, o imóvel "foi vendido ao senhor José Sarney Filho, mediante instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda e outras Avenças". O apartamento 22 foi comprado pela empreiteira depois de um contato inicial de José Adriano, neto de Sarney, com o proprietário do imóvel, o economista Felipe Jacques Gauer. O imóvel foi adquirido em fevereiro de 2006, quando a empresa ainda se chamava Aracati. "Ele (o neto do presidente do Senado) me fez algumas perguntas e disse que uma pessoa dessa empresa, a Aracati, iria me procurar para acertar a compra do apartamento", contou o antigo proprietário do imóvel em São Paulo.
O apartamento de número 32, diz a nota da empreiteira, foi comprado em dezembro de 2006 e "é de propriedade da Holdenn (...) para uso dos sócios da empresa". O dono do imóvel, o empresário Sidney Wajsbrot, disse, também em entrevista publicada na edição de domingo, que antes mesmo de pôr o apartamento à venda foi procurado pelo então zelador do prédio com a informação de que "o senador Sarney estava procurando um apartamento, que já tinha outros dois e queria um terceiro, para um assessor dele". A família usa os apartamentos desde que foram comprados pela Holdenn, em 2006. No 22, mora Gabriel Cordeiro Sarney, filho do deputado Zequinha Sarney (PV-MA)
Antes dele, morou naquele apartamento o irmão, José Adriano, o mesmo que iniciou a negociação concluída pela Holdenn. Na segunda, a reportagem do jornal O Estado de S. Paulo encaminhou quatro perguntas ao deputado e reiterou o pedido de acesso ao contrato de compra e venda do apartamento. Em nota, ele se negou a fornecer o documento e classificou o diário paulista como inimigo político da família. "Não me interessa dar detalhes da minha vida pessoal a um adversário político que tenta me envolver numa disputa cujo único objetivo é retirar meu pai da presidência do Senado." Sarney e seus parentes e aliados estão envolvidos em diversos outros rolos.
(Agência Estado)
18 de agosto de 2009
Quatro horas depois de José Sarney (PMDB-AP) dizer nesta segunda-feira, no plenário do Senado, que fora alvo de uma denúncia "irresponsável" e "sem provas" no fim de semana, a empresa Holdenn Construções Assessoria e Consultoria Ltda. admitiu, em nota, manter uma relação de favores com a família do senador. No domingo, o jornal O Estado de S. Paulo informou que a Holdenn negociou e pagou dois apartamentos usados pelo clã Sarney em São Paulo. Na nota, assinada pelo empresário e amigo da família Rogério Frota de Araújo, a empreiteira admite que comprou o apartamento número 22 do edifício Solar de Vila América, na Alameda Franca, 1.581, nos Jardins.
A empresa afirma que, depois da compra, o imóvel "foi vendido ao senhor José Sarney Filho, mediante instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda e outras Avenças". O apartamento 22 foi comprado pela empreiteira depois de um contato inicial de José Adriano, neto de Sarney, com o proprietário do imóvel, o economista Felipe Jacques Gauer. O imóvel foi adquirido em fevereiro de 2006, quando a empresa ainda se chamava Aracati. "Ele (o neto do presidente do Senado) me fez algumas perguntas e disse que uma pessoa dessa empresa, a Aracati, iria me procurar para acertar a compra do apartamento", contou o antigo proprietário do imóvel em São Paulo.
O apartamento de número 32, diz a nota da empreiteira, foi comprado em dezembro de 2006 e "é de propriedade da Holdenn (...) para uso dos sócios da empresa". O dono do imóvel, o empresário Sidney Wajsbrot, disse, também em entrevista publicada na edição de domingo, que antes mesmo de pôr o apartamento à venda foi procurado pelo então zelador do prédio com a informação de que "o senador Sarney estava procurando um apartamento, que já tinha outros dois e queria um terceiro, para um assessor dele". A família usa os apartamentos desde que foram comprados pela Holdenn, em 2006. No 22, mora Gabriel Cordeiro Sarney, filho do deputado Zequinha Sarney (PV-MA)
Antes dele, morou naquele apartamento o irmão, José Adriano, o mesmo que iniciou a negociação concluída pela Holdenn. Na segunda, a reportagem do jornal O Estado de S. Paulo encaminhou quatro perguntas ao deputado e reiterou o pedido de acesso ao contrato de compra e venda do apartamento. Em nota, ele se negou a fornecer o documento e classificou o diário paulista como inimigo político da família. "Não me interessa dar detalhes da minha vida pessoal a um adversário político que tenta me envolver numa disputa cujo único objetivo é retirar meu pai da presidência do Senado." Sarney e seus parentes e aliados estão envolvidos em diversos outros rolos.
(Agência Estado)
Sarney diz que soube de atos secretos por relatório da FGV
BRASÍLIA - O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), negou neste sábado que tenha tomado conhecimento da existência de atos secretos, entre os dias 28 e 29 de maio, por meio do ex-diretor de Recursos Humanos Ralph Siqueira, conforme este relatou em entrevista ao jornal "O Estado de S.Paulo". Em nota divulgada por sua assessoria , Sarney esclareceu que a primeira informação que recebeu sobre a existência de atos administrativos não publicados foi por meio de relatório divulgado no dia 12 de maio pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), que teria sido contratada por iniciativa do próprio presidente do Senado. . (Confira as denúncias contra Sarney na linha do tempo)
Ainda de acordo com a nota de Sarney, esse primeiro relatório da FGV é que teria levado a 1ª Secretaria a criar, no dia 28 de maio, uma comissão especial, para a qual foi indicado o próprio Ralph, para apurar as irregularidades. Desde então, acrescenta a nota, "todos os procedimentos legais foram adotados de imediato pelo presidente José Sarney, que liderou, do início das denúncias às determinações finais, todo o processo investigatório, chamando inclusive a Procuradoria Geral da República e o Tribunal de Contas da União a colaborarem".
O documento diz ainda que as declarações do ex-diretor são "versões divulgadas ao sabor do jogo político" que tornam a matéria "sem sentido".
"No depoimento do sr. Ralph Siqueira ao jornal, ele afirma que, em sua conversa com o presidente José Sarney, o teria prevenido sobre 'indícios de omissão deliberada' na não publicação de alguns atos secretos. Suspeita, aliás, que era um dos motivos inspiradores da criação da comissão de que ele fazia parte, o que, portanto, não constitui nenhuma novidade."
Sarney negou existência de atos por estar 'surpreso' com descoberta
Numa retrospectiva das medidas adotadas pelo Senado, Sarney destacou a abertura de processo administrativo disciplinar contra dois ex-diretores da instituição - Agaciel Maia e João Carlos Zoghbi - e outros cinco servidores.
Sarney também tentou explicar o que quis dizer em pronunciamento proferido no dia 16 de junho - seis dias após o "Estadão" ter revelado a existência dos atos não publicados -, quando declarou que não sabia o que era ato secreto.
- Eu só conheço um ato secreto. Durante o governo Médici, ele (Emílio Garrastazu Médici) declarou que ia criar decretos secretos. Eu não conheço esses atos secretos - disse ele na época.
De acordo com a nota, o presidente se mostrava surpreso com as descobertas feitas pela comissão especial, até porque muitos dos atos ditos secretos se referiam à nomeação de servidores e mesmo assim eles tomaram posse.
Na nota, Sarney ressalta ainda levantamento feito pela Diretoria Geral do Senado que atesta que, dos primeiros 663 atos secretos identificados, somente nove foram assinados por ele, dos quais dois como presidente e outros sete em conjunto com a Mesa Diretora, sendo que nenhum deles tratava da nomeação ou exoneração de servidores.
Heráclito Fortes diz que Ralph Siqueira mentiu na entrevista
Para o 1º secretário, senador Heráclito Fortes (DEM-PI), Ralph Siqueira mentiu na entrevista concedida ao jornal. Segundo Heráclito, o ex-diretor de Recursos Humanos negou, durante toda a investigação, a existência de atos secretos, argumentando que cerca de 15 ou 20 atos administrativos teriam deixado de ser publicados por falha no sistema.
" (Ralph) negou o tempo todo a existência de atos secretos. Sua versão é completamente mentirosa "
- Constituí uma comissão especial para investigar o assunto, porque não confiava mais nele (Ralph), que negou o tempo todo a existência de atos secretos. Sua versão é completamente mentirosa - disparou.
Ralph Siqueira foi apontado na última quarta-feira pelo chefe do Serviço de Publicação do Boletim de Pessoal , Franklin Paes Landim, como responsável pela publicação, a partir de 28 de maio, de outros 468 atos administrativos de 1998 a 2000 que não tinham tido divulgação. A operação foi interpretada pelo 1º secretário como uma tentativa de "sabotagem" à investigação feita pela comissão especial que identificou os outros 663 atos secretos. Para o senador, o ex-diretor está tentando dividir agora a responsabilidade pelos seus erros.
- Vamos admitir que seja verdade o que ele disse: por que ele inseriu outros 468 atos não publicados no sistema e não comunicou à comissão especial da qual participou?
A Diretoria Geral do Senado, porém, já começou a reunir provas sobre o envolvimento de Ralph Siqueira nesta operação e deverá abrir, na próxima segunda-feira, um inquérito administrativo disciplinar contra o ex-diretor.
Publicada em 15/08/2009 às 15h20m - http://oglobo.globo.com
Adriana Vasconcelos
Ainda de acordo com a nota de Sarney, esse primeiro relatório da FGV é que teria levado a 1ª Secretaria a criar, no dia 28 de maio, uma comissão especial, para a qual foi indicado o próprio Ralph, para apurar as irregularidades. Desde então, acrescenta a nota, "todos os procedimentos legais foram adotados de imediato pelo presidente José Sarney, que liderou, do início das denúncias às determinações finais, todo o processo investigatório, chamando inclusive a Procuradoria Geral da República e o Tribunal de Contas da União a colaborarem".
O documento diz ainda que as declarações do ex-diretor são "versões divulgadas ao sabor do jogo político" que tornam a matéria "sem sentido".
"No depoimento do sr. Ralph Siqueira ao jornal, ele afirma que, em sua conversa com o presidente José Sarney, o teria prevenido sobre 'indícios de omissão deliberada' na não publicação de alguns atos secretos. Suspeita, aliás, que era um dos motivos inspiradores da criação da comissão de que ele fazia parte, o que, portanto, não constitui nenhuma novidade."
Sarney negou existência de atos por estar 'surpreso' com descoberta
Numa retrospectiva das medidas adotadas pelo Senado, Sarney destacou a abertura de processo administrativo disciplinar contra dois ex-diretores da instituição - Agaciel Maia e João Carlos Zoghbi - e outros cinco servidores.
Sarney também tentou explicar o que quis dizer em pronunciamento proferido no dia 16 de junho - seis dias após o "Estadão" ter revelado a existência dos atos não publicados -, quando declarou que não sabia o que era ato secreto.
- Eu só conheço um ato secreto. Durante o governo Médici, ele (Emílio Garrastazu Médici) declarou que ia criar decretos secretos. Eu não conheço esses atos secretos - disse ele na época.
De acordo com a nota, o presidente se mostrava surpreso com as descobertas feitas pela comissão especial, até porque muitos dos atos ditos secretos se referiam à nomeação de servidores e mesmo assim eles tomaram posse.
Na nota, Sarney ressalta ainda levantamento feito pela Diretoria Geral do Senado que atesta que, dos primeiros 663 atos secretos identificados, somente nove foram assinados por ele, dos quais dois como presidente e outros sete em conjunto com a Mesa Diretora, sendo que nenhum deles tratava da nomeação ou exoneração de servidores.
Heráclito Fortes diz que Ralph Siqueira mentiu na entrevista
Para o 1º secretário, senador Heráclito Fortes (DEM-PI), Ralph Siqueira mentiu na entrevista concedida ao jornal. Segundo Heráclito, o ex-diretor de Recursos Humanos negou, durante toda a investigação, a existência de atos secretos, argumentando que cerca de 15 ou 20 atos administrativos teriam deixado de ser publicados por falha no sistema.
" (Ralph) negou o tempo todo a existência de atos secretos. Sua versão é completamente mentirosa "
- Constituí uma comissão especial para investigar o assunto, porque não confiava mais nele (Ralph), que negou o tempo todo a existência de atos secretos. Sua versão é completamente mentirosa - disparou.
Ralph Siqueira foi apontado na última quarta-feira pelo chefe do Serviço de Publicação do Boletim de Pessoal , Franklin Paes Landim, como responsável pela publicação, a partir de 28 de maio, de outros 468 atos administrativos de 1998 a 2000 que não tinham tido divulgação. A operação foi interpretada pelo 1º secretário como uma tentativa de "sabotagem" à investigação feita pela comissão especial que identificou os outros 663 atos secretos. Para o senador, o ex-diretor está tentando dividir agora a responsabilidade pelos seus erros.
- Vamos admitir que seja verdade o que ele disse: por que ele inseriu outros 468 atos não publicados no sistema e não comunicou à comissão especial da qual participou?
A Diretoria Geral do Senado, porém, já começou a reunir provas sobre o envolvimento de Ralph Siqueira nesta operação e deverá abrir, na próxima segunda-feira, um inquérito administrativo disciplinar contra o ex-diretor.
Publicada em 15/08/2009 às 15h20m - http://oglobo.globo.com
Adriana Vasconcelos
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