terça-feira, 2 de dezembro de 2008

JULGAMENTO FORA DOS GABINETES FECHADOS.

MENSALÃO & SCHINCARIOL: O RETRATO DA INVERSÃO DE VALORES

Dr. Édison Freitas de Siqueira

Junho de 2005 deveria ir para os anais de nossa história. A dimensão e repercussão do ocorrido em dois episódios específicos revelaram o retrato da inversão de valores que hoje determinam o insucesso da economia e das estruturas da sociedade brasileira.
Pressuposto deste registro histórico é estarmos ciente que o Brasil, desde o início da década de 90 caiu em quase 50% sua participação no comércio global. Cresceram Índia, Coréia, Rússia, China, Chile, México e outros, enquanto nosso PIB, em dólares, é igual a 20 anos passados. Nossa população cresceu milhões e milhões de pessoas, remetendo a redução da renda per capita, com conseqüente aumento do desemprego e criminalidade. As mazelas sociais alcançam indistintamente as famílias brasileiras de baixa e alta renda. Nossos filhos, parentes e vizinhos não encontram futuro num país onde o mercado de trabalho não cresce. Trabalho, família e dignidade, é uma tríade inseparável. Quando falta um, desintegram-se os demais.
Talvez por esta razão o Governo e Políticos Brasileiros, nas três esferas da federação, União, Estado e Municípios, impõem aumento progressivo de impostos. Buscam riqueza, sem promover trabalho. Nossa carga tributária, toda cobrada sobre a produção, impede a recuperação do crescimento e só induz a aumento de endividamento, fator que beneficia o Poder de quem já esta no Poder. Somente lá, dinheiro é só por dinheiro.
Como camuflagem, o empresário é posto como culpado da crise. Chega-se ao absurdo de montarem-se operações cinematográficas expondo empresas que possuem milhares de empregados, somente para humilhar-se toda classe de pessoas que sustentam a sociedade. O caso Schincariol é exemplo disto. O Governo Federal montou operação cinematográfica contra os dirigentes de uma empresa que possui uma dezena de fábricas espalhadas pelo Brasil, esquecendo que estas pessoas representam milhares de empregados, representam o sustento e manutenção de importantes municípios do Brasil. E pior, o Governo Federal, ao colocar estes empresários algemados na televisão, esqueceu da Constituição Federal, e os condenou antes mesmo do julgamento, ameaçando a todos aqueles que são empreendedores, e buscam riqueza no trabalho e não em Mensalões, onde dinheiro é pelo dinheiro e Poder.
Se impostos não são pagos, é porque não foram cobrados, ou pior, porque são injustos. Só se pode tributar se houver riqueza. E havendo riqueza no trabalho, quando existir crime, somente dos indivíduos deve-se cobrar, respeitando-se a empresa e empregados envolvidos. O trabalho e a empresa são patrimônios da sociedade. Resultam dos esforços de dezenas, centenas e até milhares de pessoas, geralmente coordenadas por um “líder-empreendedor”.
Em contra partida, no caso do Mensalão, os Deputados e Senadores acusados de receberem propina para votarem a favor de um Governo onde os dirigentes não aparecem em camburões algemados em fotos de jornais, são ouvidos em total sigilo e em confortáveis gabinetes fechados. Ao mesmo tempo, os Ministros que também são acusados deixam seus cargos do executivo, para voltarem a serem deputados e senadores, assim passando a gozar de imunidade parlamentar, que impossibilita o ajuizamento de processo criminal.
Enquanto o povo Brasileiro continuar a permitir que os políticos e representantes de atividades não produtivas sejam privilegiados, a custo do sofrimento e exposição daqueles que realmente geram emprego e financia todo o Estado – empresários – o país irá de mal a pior.
Esta na hora do povo saber que não é protegendo-se corruptos em audiências secretas realizadas nos escuros gabinetes do congresso, nem é se tributando o trabalho com 42% de impostos, como também não é humilhando-se com algemas e holofotes os empresários que realmente geram empregos em nosso país, que voltaremos a crescer, gerando riqueza suficiente para que nossa juventude e famílias tenham empregos, segurança e dignidade.
Crimes coletivos somente acontecem em rebeliões, em guerras e até mesmo em congressos, mas nunca em empresas. A regra é o indivíduo, nunca toda a instituição. Por esta razão a necessidade de condenar-se à publicação de operações teatrais. Todos devem ser julgados com isenção, preferencialmente, fora de gabinetes fechados e longe de votos secretos.
Esta, pois, é a inversão de valores que explica tudo!
Dr. Prof. Édison Freitas de Siqueira – www.edisonsiqueira.com.br

Tomar conhecimento:

QUAL A DIFERÊNÇA ENTRE ECONOMIA REAL E ECONOMIA VIRTUAL?

Um jovem índio amassava barro para levantar uma parede de pau a pique e o chão da oca. Qual não foi sua idéia, com o barro que sobrou se fez a moldar uma cumbuquinha para tomar o seu remédio de chá de folhas. O seu sucesso foi tão grande que passou a fabricar cumbuquinhas para os índios de outras tribos. Empregou outros índios e passou a vendê-las na a cidade mais próxima. Com os lucros, pagava os seus companheiros, pos os filhos a estudar e se fez com o invento.

Um pedreiro viu as cumbuquinhas e qual não foi sua idéia, pegou as cumbuquinhas e as colocou num forno e inventou a xícara de louça. O seu sucesso foi tão grande que passou a fabricá-las. Empregou outros pedreiros e passou a vendê-las na cidade onde residia. Com os lucros, montou uma empresa, pagava os seus empregados, os impostos de lei, pos os filhos a estudar, melhorou de vida, comprou suas necessidades e se fez com o invento.

Um agricultor viu as xicrinhas, e passou a plantar café. O seu sucesso foi tão grande e passou vendê-lo torrado e moído. Empregou outros agricultores e passou a vendê-lo na cidade grande. Com os lucros, montou uma empresa, pagava os seus empregados, os impostos de lei, pos os filhos a estudar, melhorou de vida, comprou suas necessidades e se fez com o plantio.

Uma família comerciante que já negociava chá mate gostou do invento e passou a vender cafezinhos servidos nas xicrinhas de louça. Empregou outras pessoas. Com os lucros, montou uma rede de bares, pagava os seus empregados, os impostos de lei, pos os filhos a estudar, melhorou de vida, comprou suas necessidades e se fez com o negócio.

Um belo dia um político da grande Capital da República tomou o cafezinho.

CONCLUSÃO:

O jovem índio, o pedreiro, o agricultor a família comerciante É A ECONOMIA REAL.

Já o político da grande Capital da República é a ECONOMIA VIRTUAL.

(Readaptado por Ademir Fonseca Venesi – 15/10/2003)