sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

 

Agronegócio no Brasil

O agronegócio representa em torno de um terço do PIB brasileiro, razão pela qual é considerado o setor mais importante da economia nacional. Wikipédia

https://agrimec.com.br/blog/porque-o-agro-do-brasil-alcancara-um-trilhao-de-dolares-em-2027/

Porque o Agro do Brasil alcançará um trilhão de dólares em 2027

Pegamos carona no SEBRAE Talks Agronegócio, os 5 dias de conversação online sobre o futuro do agronegócio brasileiro, organizado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas.

Na oportunidade, Marcos Fava Neves* trouxe as perspectivas para o agronegócio brasileiro a partir de uma análise da balança comercial e dos últimos resultados atingidos pelo setor.

O objetivo da fala foi contextualizar os últimos anos do agronegócio e explicar como o produtor pode construir margem a partir das perspectivas que se apresentam.

E ele afirma: em 2027, o agro alcançará um trilhão de dólares em receita.

Em pouco mais de 50 minutos de fala, Neves explicou como e porque o Brasil dará esse salto nos próximos 10 anos.

A afirmação chamou tanto a nossa atenção que resolvemos elencar os principais pontos da fala do engenheiro agrônomo, no texto a seguir.

E como é de se esperar, atente-se desde já para estas duas palavras: exportações e tecnologias.

Os grandes números de 2018

Se existe algum fato que confirma a possibilidade do agronegócio alcançar seu primeiro trilhão de dólares em 2027, esse fato é 2018.

Foi neste ano que a agricultura recebeu uma das melhores notícias para o setor, na visão do professor.

É que a China passará a misturar 10% de etanol na gasolina, até 2020.

Isso vai criar um mercado adicional de milho de 40 milhões de toneladas, o necessário para os chineses alcançarem essa meta.

Outra grande potência, os EUA, fez isso em 2005 e, atualmente, consome 140 milhões de toneladas, todos os anos, só para a mistura com o etanol.

E o que o Brasil tem a ver com isso?

Tudo. A capacidade de expansão, em área e produtividade, das terras brasileiras o coloca como principal produtor nesse cenário.

Foi em 2018 também que produzimos 228,3 milhões de toneladas, fazendo desta a segunda maior safra no quesito produção.

A seca nos meses de maio e junho que atingiu em cheio a segunda safra do milho e grande parte das lavouras de trigo, principalmente no Rio Grande do Sul, impossibilitou o novo recorde.

Por outro lado, a [situação da Argentina] e a variação cambial somaram pontos a nosso favor.

A dupla soja e milho como sempre dispararam os números.

Foram 119,2 milhões de toneladas da primeira e 81,3 milhões do segundo, resultado que coloca o Brasil entre os 3 maiores produtores mundiais destes alimentos.

Os 61,7 milhões de hectares colhidos também tiveram destaque com aumento de 4,1% de um ano para o outro.

De 2008 pra cá, a área plantada no Brasil cresceu cerca de 70%.

Destaque para o município de Sorriso, no Mato Grosso.

O estado, que já é o maior produtor nacional de soja, viu a cidade injetar, sozinha, incríveis 3,3 bilhões de reais na economia do país.

São 3,3 bilhões impulsionando vários outros setores: comércio, indústria, bens e serviços.

Em termos de exportações, comercializamos 9,3 bilhões de dólares, 3,6% a mais que na safra 2016/2017.

A soja contribuiu com 4 bilhões nesse montante, com 43% de aumento em relação a penúltima colheita.

A influência da China destaca-se também aqui. Os asiáticos passaram a comprar de 26% a 36% de tudo que comercializamos no último ano.

Ao final de agosto, somente o agronegócio brasileiro deixou um saldo de 60 bilhões de dólares, em relação a outras áreas que somaram um total de 40 bilhões.

A diferença de 20 bilhões de dólares denota a importância que o setor tem na estabilização da economia, na garantia de uma moeda forte e na baixa da inflação.


Mas será que em 2018 todos saíram ganhando? Definitivamente não.

Neves pontua os produtores de arroz e, especialmente, os suinocultores como os mais enfraquecidos neste período.

Rações mais caras, menor volume de exportações, em virtudes dos embargos comerciais, e um mercado interno que ‘‘andou de lado’’, fizeram com que a situação dos produtores de suínos fosse a pior.

Por fim, o motivo pelo qual a economia do Brasil não está crescendo os 2,8% previstos para o ano: a sombria greve geral dos caminhoneiros.

Com cerca de 1% do PIB detonado e a emergência de problemas estruturais e conjunturais, a greve dos transportes, ocorrida no mês de maio, foi letal e trouxe prejuízos a toda cadeia.

Como, por exemplo, a política de tabelamento. Decisão equivocada que ascende novos problemas estruturais, como o investimento em frota própria dos caminhoneiros.

Para o palestrante, o aumento da ociosidade de caminhões que já existia, sairá muito mais caro a partir de agora.

No primeiro semestre de 2018, foram vendidos 50% a mais de caminhões que no primeiro semestre de 2017.

Com esse panorama inicial estamos prontos para falar do que vem pela frente.

Como o Brasil cresceu ao longo dos anos?

Em 1991, 58 milhões de toneladas de grãos eram entregues por ano no Brasil.

O número era bem menor no âmbito das carnes: há 27 anos, produzíamos apenas 5 milhões de toneladas de carne bovina, 2,36 de frango e 1,05 de suínos.

Se compararmos com os números atuais, o nosso gráfico de evolução na produção de grãos e carnes fica uma verdadeira montanha.

Em 2017, passamos a produzir mais de 230 milhões de toneladas de grãos.

Bovinos, frangos e suínos cresceram 89%, 462% e 255%, respectivamente.

A agricultura extremamente competitiva que temos hoje é o que permite que o setor projete uma quantidade enorme de recursos no país, ajudando a expandir o campo e fomentando a geração de renda e empregos.

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Boa parte de toda essa produção foi exportada e então são elencados alguns dados mais interessantes ainda.

Nos anos 2000, o Brasil vendia para o mundo 4 bilhões de dólares referentes ao complexo soja.

17 anos depois, concentramos 31,717 bilhões com a venda de soja em grão, em farelo e óleo.

As carnes, hoje, aparecem em segundo lugar na lista dos produtos que mais exportamos.

Em menos de 20 anos, o valor total de vendas saltou de 1,957 bilhões de dólares para 15,474.

Na tabela abaixo podemos acompanhar o desempenho de outras mercadorias importantes.


E ao que tudo indica, ainda não é momento de pararmos de falar sobre a China.

Se olharmos para a tabela à direita, veremos que atualmente esse é o principal país comprador dos mais diferentes produtos que geramos.

A China está se configurando como um verdadeiro ‘‘aspirador’’ que puxa a produção brasileira, investindo em torno de 26,557 bilhões de dólares no nosso país.

Mesmo com as questões trabalhistas e criminais que envolvem a produção agrícola hoje, como assaltos às propriedades rurais, falta de infraestrutura, aumento dos tributos, da escassez do crédito e das taxas de juros, ainda foi possível entregar ‘‘resultados fantásticos jogando em um estádio de condições ruins’’.

E as previsões confirmam que entregaremos muito mais como veremos a partir de agora.

As projeções rumo a 1 trilhão de dólares

O principal fato que faz Fava Neves acreditar no potencial das exportações é a demanda mundial por alimentos.

Até 2070, seremos mais de 9 bilhões de pessoas, com 80% concentrando-se na Ásia e na África.

Atrelado a isso ainda temos a migração do campo para a cidade e o aumento das áreas destinadas para a produção de biocombustíveis, primeiro ponto abordado sobre a relação comercial brasileira com a China.

Os chineses estão gostando de carne e mais ainda da carne suína.

Entre 2005 e 2015, eles aumentaram o consumo anual de carne de porco em 200 milhões de animais.

Na comparação, o Brasil é uma potência agroambiental em relação a China.

As normas aqui já estabelecidas, o código florestal, a capacidade de preservação e o aumento para 85 milhões de hectares cultiváveis, em 10 anos, colocam-nos em vantagem produtiva diante da demanda por carnes.

Ao alcançarmos 85 milhões de hectares, estaremos ocupando apenas 10% do território brasileiro com a produção de grãos.

Para Neves, o Brasil tem capacidade sim de se expandir, em produtividade e em área, para abastecer o gráfico colocado na sequência.


Saindo do campo das carnes e partindo para o dos grãos, a justificativa do porquê o agronegócio alcançará um trilhão de dólares, em 2027, vem justamente delas, das exportações.

Em 2017, o mundo comprou 147,7 milhões de toneladas de soja. Daqui a 10 anos, esse número será de 204,1 milhões de toneladas. Serão 56 milhões de toneladas de soja a mais compradas mundo a fora.

Com a tonelada custando 400 mil dólares, em 2027, o mundo vai comprar 22,5 bilhões de dólares a mais, em soja, que em 2017.


A primeira linha da tabela mais abaixo nos informa a quantidade de soja que o Brasil vendeu em 2017.

Das 147,7 milhões de toneladas vendidas em todo o mundo, 63,1 milhões partiram do Brasil.

Em 2027, do total de 204,1 milhões de toneladas que o mundo irá comprar de soja, 96,4 serão do Brasil. Praticamente a metade de todo o comércio.

Em 10 anos, teremos 33,3 milhões de toneladas a mais de soja, tendo o Brasil como ponto de partida.

Portanto, podemos afirmar que o produtor rural brasileiro ofertará 13,3 bilhões de dólares a mais do que ofertou em 2017.

Atualmente, a soja exporta 16 milhões de reais por dia.

Em resumo, o cálculo que resulta em 1 trilhão de dólares gerados pelo agronegócio, em 2027, fica assim:

96 bilhões de dólares (total que o Brasil vendeu de agronegócio para o mundo, em 2017) x 10 anos = 960 bilhões de dólares + adicional de crescimento esperado pelas culturas citadas = 155 bilhões + açúcar/etanol/frutas/fumo/papel/celulose (tudo que as cadeias envolvidas irão crescer) = 1,1 – 1,2 trilhões.

Até aqui, o professor afirmou que mercado irá ter. O que não foi dito ainda é se teremos preços.

As projeções de preços das commodities mundiais analisadas confirmam que para os próximos 10 anos, elas devem ficar na média que temos hoje.

Ou seja: vai ter muito mercado ao preço atual. Qual o desafio, portanto, do produtor rural para o futuro?

O desafio é construir margens de lucro e resultados.

E a última parte do texto apresenta as 3 formas que os produtores, as cooperativas e as empresas terão para construir margens de lucro para os próximos 10 anos.

Construindo margens na cadeia produtiva do agronegócio

Uma cadeia agroindustrial tem início na compra das sementes, dos defensivos e das máquinas e termina apenas quando o consumidor final tem acesso ao produto, seja nos supermercados ou nos restaurantes.

No meio dos elos desta cadeia existe a possibilidade de inserção de 3 formas que irão gerar margens de lucro ao produtor rural.

Essas são as formas mais viáveis para que aconteça uma mudança de comportamento e para que o produtor rural, então, consiga atender às demandas já faladas.


1 – Economia digital e tecnologia

fazenda conectada é o melhor exemplo de como essa forma de economia já chegou até nós.

barra de luzes para aplicação de defensivos também. Ela reconhece onde está a planta daninha e dá sinal para que a aplicação química aconteça apenas em cima da invasora.

Não é mais uma aplicação por hectare. É uma aplicação direta.

É o uso de menos produtos e, automaticamente, a construção de margens de lucro.

Outro exemplo, presenciado por Neves na última Agrishow, é um drone com capacidade de carregamento de 150 litros.

Ele pulveriza a lavoura com excepcionais 5 cm de distância da planta. Sem condutor e com custo operacional muito mais baixo.

Mais uma vez, redução de desperdício e construção de margens no agronegócio.

Os responsáveis por essa fantástica criação afirmam que não apenas para a agricultura o equipamento será útil, mas também para apagar incêndios e salvar de vidas em afogamentos.

Além disso, presenciamos um pacote de inovações vindo da área genética.

Esses e muitos outros exemplos permitem que Marcos Fava Neves afirme:

‘‘Morreu o hectare,

nasceu o metro quadrado’’.

A partir de agora, as produções passarão a ser gerenciadas pelo metro quadrado, sem desperdício.

É fertilização e controle de pragas localizados, usufruindo de toda tecnologia que temos disponível.

E pequenos produtores terão acesso a isso tudo via cooperativas e empresas prestadoras de serviços que já estão se encaminhando para essa nova forma de gerir a agricultura.

2 – Economia circular e da integração

Alguns exemplos.

Usinas de cana no país já estão investindo em unidades processadoras de milho junto com a cana.

Ao colocar o milho, a margem já começa a ser construída, porque usa-se o mesmo terreno, o mesmo executivo, a mesma segurança, a mesma equipe e engloba duas fábricas ao mesmo tempo.

1 tonelada de milho processada rende 400 mil litros de etanol, que irá fazer parte da produção de cana, na primeira usina.

Retira-se ainda de 300 a 330 kg de um produto chamado DDG, uma espécie de bagaço do milho, altamente proteico e que incentiva o confinamento do lado da usina.

É uma parte importante da ração podendo ser retirada ali, na mesma produção, sem depender de transporte que se chama confinamento integrado de milho e cana.

O confinamento gera esterco que, ao ser tratado, volta como fertilizante do milho e da cana.

A ideia da economia circular é basicamente de reduzir o número de insumos e sair mais produtos de uma mesma produção.

3 – Economia coletiva ou de compartilhamento

Como ponto de partida para exemplificar esse tipo de economia, Neves abarca uma realidade que vem mudando nos maiores centros urbanos do país.

Em tempos de Uber, as pessoas estão se dando conta que ter carro já não faz mais sentido.

O Uber tornou-se uma opção mais barata, confortável e segura.

Somando seguro, depreciação, combustível, estacionamento e outros, o preço de manutenção, por dia, de um carro próprio é muito mais elevado que o preço desses novos modelos de transporte.

Mas qual o impacto desses modelos chamados de compartilhamento, que colocam quem oferta serviços em contato com quem precisa desses serviços, na agricultura?

Também na agricultura essas plataformas permitem a redução do volume de ativos, máquinas e tratores.

Eles passarão a ser melhores utilizados e todos saberão quem tem o que para poder alugar.

Teremos os uber de plantio, colheita e armazenamento.

Ao fazer isso, ambos os envolvidos constroem margens e diminuem recursos.

O resumo de tudo que elencamos até agora, com base na participação do professor Marcos Fava Neves no SEBRAE Talks Agronegócio está em uma frase compartilhada por ele em uma de suas redes sociais:

 

‘‘Há muito mercado para conquistar em termos de volume, mas os preços serão estes, portanto temos que construir margem via eficiência das cadeias produtivas integradas: tecnologia/digital; economia circular e do compartilhamento’’.

 

*Marcos Fava Neves, nascido em Lins (SP), é professor titular da FEA/USP em Ribeirão Preto. Engenheiro Agrônomo formado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) em 1991, mestre em Administração (Estratégias de Arrendamento Industrial na Citricultura, FEA/USP, 1995), doutor em Administração (Planejamento de Canais de Distribuição de Alimentos, FEA/USP, 1999), livre-docente em Planejamento e Gestão Estratégica (2004) e professor titular (2009). É também pós-graduado em Agribusiness & Marketing de Alimentos na França (1995) e em Canais (Networks) de Distribuição de Alimentos na Holanda (1998/1999). Foi coordenador do Pensa –Programa de Agronegócios da USP –, de 2005 a 2007, criador do Markestrat(Centro de Pesquisas e Projetos em Marketing e Estratégia da USP), em 2004 e foi chefe do Departamento de Administração em duas gestões (2000-2002 e 2010-2012).

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Algumas das muitas Mentiras do Governo Dilma

Numa época de mentiras universais, dizer a verdade é um ato revolucionário. Se George Orwell estivesse por ai, seria prontamente acusado de terrorismo eleitoral.
Enquanto insistirem em falar mentiras sobre os “neoliberais”, cumprirei o compromisso de falar verdades sobre o governo.
Há dois elementos constrangedores envolvendo o governo Dilma: a incompetência e a desonestidade intelectual – essa última conhecida popularmente como hábito da mentira.
Inventam o que querem para evitarem a mudança de endereço. Abaixo listo as dez mentiras que mais me incomodam, cujas implicações ao seu patrimônio podem ser substanciais.
Restrinjo-me a questões de economia e finanças. Não imagino que a mitomania limite-se a essa área, mas prefiro manter-me no escopo, por uma questão de pertinência desta newsletter.
Ao não reconhecer os erros, mantém-se a rota errada da política econômica. Bateremos de frente com uma crise financeira em 2015.

1. “A crise vem de fora.”


Esse é o discurso oficial para justificar a recessão técnica em curso no Brasil. O que os dados podem nos dizer sobre isso? Comecemos do mais simples: o crescimento econômico do Governo Dilma será, na média, dois pontos percentuais menor àquele apresentado pela América Latina. Nos governos Lula e FHC, avançamos na mesma velocidade dos vizinhos.
Indo além, há de se lembrar que a economia mundial cresceu 3,9% em 2011, 3% ao ano entre 2012 e 2013, e deve emplacar mais 3,6% em 2014. Nada mal.
Comparando com o pessoal mais aqui ao lado especificamente, Chile, Colômbia e Peru, exatamente aqueles que adotaram políticas econômicas ortodoxas e perseguiram uma agenda de reformas na América Latina, cresceram 4,1%, 4,0% e 5,6% ao ano, entre 2008 e 2013.
Enquanto isso, a evolução média do PIB brasileiro na administração Dilma deve ser de 1,7% ao ano.
A retórica oficial, desprovida de qualquer embasamento empírico, continua ser de que a crise vem de fora. Aquela marolinha identificada pelo presidente Lula, lá em 2008, seis anos atrás, ainda deixando suas mazelas.

2. “A política neoliberal vai aumentar o desemprego.”

Não há como desafiar o óbvio de que o produto agregado (PIB) depende dos fatores de produção, capital e trabalho. Ora, com o PIB desabando por conta da política econômica heterodoxa, cedo ou tarde bateremos no emprego.
Podemos não conseguir precisar qual a exata função de produção, ou seja, de como o PIB se relaciona com o nível de emprego, mas não há como contestar a existência de relação entre as variáveis.
O crescimento econômico da era Dilma é o menor desde Floriano Peixoto, governo terminado em 1894, subsequente à crise do encilhamento. Há uma transmissão óbvia desse comportamento para o emprego.
Os dados do Caged de maio apontaram a menor geração de postos de trabalho desde 1992. Em sequência, junho foi o pior desde 1998. E julho, o pior desde 1999.
Quem vai gerar desemprego é a nova matriz econômica – não o fez ainda simplesmente porque essa é a última variável a reagir (e a única que ainda não foi destruída).

3. “A oposição quer acabar com o reajuste do salário mínimo.”

Essa é uma mentira escabrosa por vários motivos. O primeiro é trivial: os dois candidatos da oposição já se comprometeram, em dezenas de oportunidades, em manter a política de reajuste de salário mínimo.
Ademais, quando Dilma se coloca como a protetora do salário mínimo, está simplesmente contrariando as estatísticas. O aumento real do salário mínimo foi de 4,7% ao ano entre 1994 e 2002, de 5,5% ao ano entre 2003 e 2010, e de 3,5% ao ano entre 2011 e 2013.
Ou seja, o reajuste do mínimo na era Dilma é inferior àquele implementado por Lula e também ao observado no período FHC. Ainda assim, Dilma se coloca como o bastião em favor do salário mínimo.

4. “A política neoliberal proposta pela oposição vai promover arrocho salarial.”

Esse ponto, obviamente, guarda relação com o anterior. Destaquei-o mesmo assim porque denota a doença de ilusão monetária ou uma tentativa descarada de enganar a população.
Arrocho salarial já vem sendo promovido pela atual política econômica, por meio da disparada da inflação. O salário nominal, o quanto o sujeito recebe em reais no final do mês, não interessa per se. O relevante é como e quanto esse numerário pode ser transformado em poder de compra – isso, evidentemente, tem sido maltratado pela leniência no combate à inflação.
Precisamos dar profundidade mínima ao debate. Se você consegue aumentos sistemáticos de salário acima da produtividade do trabalhador, a contrapartida óbvia no longo prazo é a inflação, que acaba reduzindo o próprio salário real.
O que os “neoliberais” querem é perseguir aumentos de produtividade maiores e duradouros. Isso permitiria dar incrementos de salário substanciais, sem impactar a inflação.
Caso contrário, aumentos do salário nominal serão corroídos pela inflação.

5. “Programa de Marina reduz a pó política industrial.”

A presidente Dilma realmente não precisa ter essa preocupação, pois ela mesma já fez o serviço. O Plano Brasil Maior, lançado em 2010 com metas para 2014, não conseguiu entregar sequer um de seus vários objetivos.
Dilma oferece simplesmente o maior processo de desindustrialização da história brasileira, fazendo o presidente da Fiesp afirmar categoricamente que somente louco investe hoje no Brasil.
Seria pertinente preocupar-se com a própria política industrial antes de amedrontar-se com o programa alheio.
Quem defende uma política de campeões nacionais, em que se escolhem a priori os vencedores da prática concorrencial desafiando a lógica de mercado, não entende absolutamente nada de empreendedorismo e política industrial.
O maior elogio que Marina poderia receber à sua política industrial é a desconfiança de Dilma.

6. “A política monetária foi exitosa.”

A frase foi proferida por Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, em seminário nos EUA sobre política monetária. A inflação brasileira tem sistematicamente namorado o teto da meta, de 6,50% em 12 meses, ignorando o princípio básico de um sistema de metas, em que o centro do intervalo deve ser perseguido. A banda de tolerância de dois pontos existe apenas para abarcar choques exógenos.
A rigor, a inflação em 12 meses está até acima do teto. O IPCA de agosto aponta variação de 6,51% em 12 meses, estourando o limite superior do intervalo.
Transformamos o teto no nosso objetivo e represamos cerca de dois pontos de inflação através do controle de preços de combustíveis, energia e câmbio.
Esse é o tipo de êxito que esperamos da política econômica?

7. “Precisamos de um pouco mais de inflação para não perder empregos.”

Para ser justo, a frase, ao menos que seja de meu conhecimento, não foi dita ipsis verbis por nenhum membro do Governo. Entretanto, a julgar pelas decisões e diretrizes de política monetária, parece permanecer o racional da administração petista.
O velho trade-off entre inflação e crescimento, em pleno século XXI?
Bom, antes de entrar no debate acadêmico, pondero que poderia até ser verdade se houvesse, de fato, crescimento. Conforme supracitado, não é o caso.
Ignorando esse fato e fingindo que vivemos crescimento econômico pujante, a questão sobre o trade-off entre inflação e crescimento parece apoiar-se numa discussão tacanha sobre a Curva de Phillips.
O debate até faria sentido se estivéssemos nos idos de 1970. Dai em diante, Friedman, Phelps e outros destruíram o argumento de mais inflação, mais emprego.
A partir da síntese de 1976, naquilo que ficou batizado de crítica de Lucas, com trabalhos posteriores sobretudo de Kydland e Prescott, a fronteira do conhecimento passou a incorporar a ideia de que o trade-off entre inflação e desemprego existe apenas a curtíssimo prazo.
Ao trabalhar com uma inflação sistematicamente mais alta, rapidamente voltamos a um novo equilíbrio, com nível de preços maior e o mesmo nível de emprego original.
E, sim, o espaço aqui está aberto para o pessoal da Unicamp rebater o argumento de Lucas (professor Belluzzo incluindo, sem nenhum tipo de enfrentamento aqui; convite educada e genuinamente a um derbi das ideias). Criticam-nos por ouvir apenas a oposição e ignoram que eles declinam nosso convites – só pode haver vozes governistas e/ou heterodoxas em nossos eventos se elas aceitarem participar, certo? Lembre-se: fizemos o convite ao competente Nelson Barbosa, que, infelizmente, não pode comparecer por incompatibilidade de agenda

8. “As contas públicas estão absolutamente organizadas. O superávit primário, embora menor do que em 2008, é um dos maiores do mundo. Dizer que há uma desorganização fiscal é um absurdo.”

A preciosidade foi dita pelo ministro Guido Mantega em entrevista ao jornal Valor. O superávit primário do setor público não é somente menor àquele de 2008. No primeiro semestre, foi o menor da história, em R$ 29,4 bilhões.
Nos últimos 12 meses, a variável marca 1,4% do PIB, sendo metade derivado de receitas extraordinárias, como Refis e leilão de libra. E se considerarmos o atraso em pagamentos em subsídios, precatórios e repasses aos bancos públicos para benefícios sociais, provavelmente não passamos de 0,5% do PIB.
O déficit nominal bate 4% do PIB, flertando com aumento de dívida, maiores impostos e/ou mais inflação à frente. Essa é a herança que a “absoluta organização das contas públicas está nos deixando.”

9. “Nunca foi feito tanto pelo pobre neste país.”

Intuitivamente, você já poderia desconfiar da afirmação quando pensa na inflação, que é um fenômeno essencialmente ruim para as classes mais baixas. Os abastados têm um estoque de riqueza aplicada em ativos que remuneram acima da inflação. Logo, estão em grande parte protegidos. A inflação é um instrumento clássico de concentração de riqueza.
Mas há de ser além da simples intuição, evidentemente. Aqui, a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2012, última disponível, é emblemática.
A constatação principal é de que, depois de 10 anos ininterruptos de melhora, a desigualdade de renda para de evoluir em 2012. O coeficiente de Gini, medida clássica de equidade, para de cair e as curvas de Lorenz de 2011 e 2012 são sobrepostas.
Em adição, a relação existente entre a renda apropriada pelo 1% mais rico da população e os 50% mais pobres aumenta de 0,66 para 0,69. Ou seja, o resultado é simples: quebramos uma sequência de 10 anos de avanço da distribuição de renda no Brasil.
A política econômica heterodoxa não cresce o bolo e também não o distribui de forma mais equitativa.

10. “A oposição faz terrorismo eleitoral.”

Se você compactua com um dos nove pontos anteriores, você é um terrorista eleitoral, egoísta e interessado apenas em si mesmo. Provavelmente, é financiado por um dos candidatos de oposição.
Enquanto isso, a situação acusa a candidata oposicionista de homofóbica e de semelhanças com Fernando Collor. Sim, ele mesmo, parte da base de apoio da….situação.
Seríamos nós, analistas e economistas, os terroristas?
Essa é a herança que fica para 2015. Você tem dois caminhos a adotar: o primeiro é esperar as consequências materiais dessa gestão desastrosa sobre seu patrimônio, e o segundo é começar a se mexer, de modo a proteger ou até mesmo aumentar suas economias.


Felipe Miranda

terça-feira, 28 de abril de 2015

É somente a minha opinião:



- Fico pasmo na imbecilidade da grandeza que a nossa mídia dá ao fuzilamento dos traficantes brasileiros na Indonésia quando por aqui morrem diariamente dezenas e dezenas de inocentes assassinados pela falta de segurança, no trânsito, em assaltos e roubos, alto índice de estupros, torcidas uniformizadas e outros motivos. 




segunda-feira, 27 de abril de 2015

O Blog INVERSÃO DE VALORES voltou a ativa em 27/04/2015.
Não me contive ficar alheio aos movimentos de moralização que o nosso pais deve passar.
Conto com meus amigos e juntos vamos vencer essa cambada de PETRALHAS.
Por Ademir F. Venesi em 27/04/2015. 

MP denuncia Vaccari e Duque por lavagem de R$ 2,4 milhões. 

Acusação diz respeito a uso de gráfica mantida por sindicatos ligados ao PT para lavar dinheiro de propina do petrolão.

Por: Carolina Farina e Felipe Frazão 27/04/2015 às 11:46 - Atualizado em 27/04/2015 às 14:05

http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/mp-denuncia-vaccari-e-duque-por-lavagem-de-r-24-milhoes



O Ministério Público Federal (MPF) apresentou nesta segunda-feira denúncia contra o ex-tesoureiro nacional do PT João Vaccari Neto, o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque - indicado pelo partido - e o executivo Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, do grupo Toyo Setal, por lavagem de dinheiro no total de 2,4 milhões de reais. O crime foi revelado na 12ª fase da Operação Lava Jato, que prendeu Vaccari preventivamente e identificou pagamento de recursos desviados da Petrobras a uma gráfica condenada por fazer propaganda eleitoral irregular para a presidente Dilma Rousseff, em 2010.
De acordo com a denúncia, o crime de lavagem de dinheiro foi cometido 24 vezes pelos acusados entre abril de 2010 e dezembro de 2013. Vaccari foi denunciado como organizador do esquema - um agravante que pode elevar a pena do petista, caso condenado. O MPF pede ainda que os acusados paguem à Petrobras como indenização, no mínimo, o dobro do valor lavado: 4,8 milhões de reais.
Gráfica do petrolão é mantida por sindicatos petistas
Diretor de gráfica do petrolão foi eleito deputado pelo PT
Diretora de gráfica do petrolão defendeu Vaccari na Bancoop
Vaccari pagou gráfica ligada ao PT com dinheiro de propina
Segundo a força-tarefa da Lava Jato, uma parte da propina que seria paga a Renato Duque no esquema do petrolão foi direcionada por empresas do grupo Setal Óleo e Gás (SOG), ao qual pertence Mendonça Neto, para a Editora Gráfica Atitude. Com aval de Duque, o pagamento foi solicitado por Vaccari em um encontro pessoal com Mendonça Neto. Por meio da Setec Tecnologia e da SOG, ele fechou dois contratos falsos de compra de anúncios com a Editora Gráfica Atitude e usou duas outras empresas - Tipuana e Projetec - para realizar os pagamentos. Vaccari pediu os pagamentos duas vezes, em 2010 e 2013, sendo celebrados dois contratos de 1,2 milhão de reais cada. Ficou comprovado o repasse de ao menos ao menos 2,4 milhões de reais, sem que o serviço, a veiculação da propaganda, tenha sido prestado. Mendonça Neto disse que "não possuía qualquer interesse comercial em publicar anúncios na revista".
As empresas de Mendonça Neto realizaram vinte e duas transferências bancárias que somam 2,25 milhões de reais (valor líquido, descontados impostos) para a Editora Gráfica Atitude. Em contrapartida, a gráfica emitiu dezoito notas fiscais frias para justificar os pagamentos. O MPF apreendeu e-mail de uma funcionária da gráfica com cópia das notas. Os valores que abasteceram os cofres da Editora Gráfica Atitude foram desviados de contratos da SOG com a Petrobras nas refinarias de Araucária (PR), a Repar, e de Paulínia (SP), a Replan, segundo os investigadores.
Em 2010, os pagamentos à gráfica ocorreram meses antes e depois das eleições, quando a empresa veiculou uma edição da Revista do Brasil, com tiragem de 360.000 exemplares, de conteúdo favorável à presidente Dilma Rousseff e ofensivo ao senador José Serra (PSDB), então adversários na disputa da Presidência da República. O Tribunal Superior Eleitoral considerou a revista uma propaganda irregular e multou a gráfica em 15.000 reais.
Para os procuradores da República, há indícios de que os pagamentos de propina pela Setec e SOG, dissimulados como compra de anúncios, financiaram a edição de número 52 da Revista do Brasil, de outubro de 2010, justamente a multada pela Justiça Eleitoral por propaganda pró-Dilma. O MPF indicou que parcelas do contrato fictício foram pagas naquele mês, bem como antes e depois das eleições.
Segundo delação de Augusto Ribeiro Mendonça, Vaccari pediu que ele fizesse transferências de dinheiro à Gráfica Atitude em vez de pagar propina ao partido em forma de doações eleitorais registradas, outro método de pagamento de propinas que rendeu ao partido ao menos 4,2 milhões de reais entre 2008 e 2012.
A Gráfica Atitude é uma sociedade mantida por dois sindicatos umbilicalmente ligados ao PT: o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. Os sindicatos são sócios e indicam os diretores da gráfica - quase todos filiados ao PT e sempre dirigentes dos sindicatos. Um deles, Teonílio Barba (Metalúrgicos do ABC), elegeu-se deputado estadual na Assembleia Legislativa de São Paulo, no ano passado. Outra diretora, Ivone Maria da Silva (Bancários), foi uma defensora de Vaccari durante a gestão do ex-tesoureiro petista na Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop) - pela qual ele responde criminalmente na Justiça paulista.
Os procuradores da Lava Jato também indicaram na denúncia que o endereço do diretório estadual do PT em São Paulo consta em listas telefônicas na internet também como sede da Editora Gráfica Atitude. Por ora, o MPF decidiu não denunciar funcionários da gráfica. Isso porque, segundo os procuradores, a responsabilidade deles ainda será apurada em inquérito separado. Os atuais diretores da gráfica Atitude, no entanto, foram arrolados para depor como testemunhas.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

O olfato, a geografia, o vinho etc...

Consta, que certa noite, muitos anos atrás, um homem entrou com a namorada no restaurante Lucas Carton, em Paris, e pediu uma garrafa de Mouton Rothschild, safra de 1928. O sommelier, em vez de trazer a garrafa para mostrar ao cliente, traz o decanter de cristal cheio de vinho e, depois de uma mesura, serve um pouco no cálice para o cliente provar.

O cliente, lentamente, leva o cálice ao nariz para sentir os aromas, fecha os olhos e cheira o vinho. Inesperadamente, franze a testa e, com expressão muito irritada, pousa o copo na mesa, comentando rispidamente:

-Isso aqui não é um Mouton de 1928!!!

O sommelier assegura-lhe que é. O cliente insiste que não é.

Estabelece-se uma discussão e, rapidamente, cerca de 20 pessoas rodeiam a mesa, incluindo o chef de cuisine e o gerente do hotel que tentam convencer o intransigente consumidor de que o vinho é mesmo um Mouton de 1928.

De repente, alguém resolve perguntar-lhe como sabe, com tanta certeza, que aquele vinho não é um Mouton de 1928.

- O meu nome é Phillippe de Rothschild e fui eu que produzi esse vinho, diz o cliente, modestamente.

Consternação geral. O sommelier, então, de cabeça baixa, dá um passo à frente, tosse, pigarreia, bagas de suor escorrem da testa e, por fim, admite que serviu na garrafa de decantação um Clerc Milon de 1928, mas explica seus motivos:

- Desculpe, mas não consegui suportar a idéia de servir a nossa última garrafa de Mouton 1928. De qualquer forma, a diferença é irrelevante. O senhor também é proprietário dos vinhedos de Clerc Milon, que ficam na mesma aldeia do Mouton.
O solo é o mesmo, a vindima é feita na mesma época, a poda é a mesma, e o esmagamento das uvas se faz na mesma ocasião, o mosto resultante vai para barris absolutamente idênticos.
Ambos os vinhos são engarrafados ao mesmo tempo.
Pode-se afirmar que os vinhos são iguais, apenas com uma pequeníssima diferença geográfica.

Rothschild então, com a discrição que sempre foi a sua marca, puxa o sommelier pelo braço e murmura-lhe ao ouvido:

- Quando voltar para casa esta noite, peça à sua namorada para se despir completamente. Escolha duas regiões muito próximas do corpo dela e faça um teste de olfato. Você perceberá a diferença que pode haver numa pequeníssima diferença geográfica!!!

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Ex-ajudante de Papai Noel e ex-guerrilheiro comandam o Ministério da Defesa

O ex-chanceler Celso Amorim e o ex-guerrilheiro José Genoino, o primeiro como ministro da Defesa e o segundo como assessor especial, são exemplos de coragem e patriotismo que servem de estímulo à tropa. Certamente os militares devem estar muito satisfeitos, orgulhosos com a missão que têm de defender o país. O Brasil está muito bem em termo de defesa, assim como está no combate à corrupção (os corruptos estão com tanto medo da repressão contra eles, que o verbo corromper só se conjuga no passado...).

Quando Evo Morales, também conhecido como “Evo Petrobale” ou “Evo Cocale”, com seus bem nutridos soldados de 1,90m de altura, invadiram as instalações da Petrobras na Bolívia e tomaram no grito a propriedade brasileira, Celso Amorim, então ministro das Relações Exteriores, disse a Lula que Morales estava no direito dele. Parece que Lula gostou do que ouviu e nada fez em defesa da estatal brasileira. Como “prêmio” à “coragem” de “Cocale”, Lula perdoou dívida de 52 milhões de dólares da Bolívia para com o Brasil e ainda aceitou que o invasor aumentasse o preço do gás que vende para nós.

Celso Amorim também auxiliou Lula a ajudar o bispo mulherengo Fernando Lugo a cumprir promessa de campanha pela Presidência do Paraguai. O bispo Lugo, que não levava a sério as limitações do sacerdócio e “faturou” umas devotas, engravidando várias delas, elegeu-se presidente do Paraguai prometendo obrigar o Brasil a pagar o “preço justo” da energia que o país dele nos “vende”, em decorrência da sociedade que tem na Hidrelétrica de Itaipu. Lula aceitou a imposição do companheiro guarani e o Brasil passou a pagar 300% a mais pela energia “comprada” do Paraguai.

O Paraguai é sócio do Brasil na Hidrelétrica de Itaipu. Como aquele país consome apenas 5% da energia a que tem direito na sociedade, vendia o restante ao Brasil pelo preço de custo. Fernando Lugo fez campanha e foi eleito, acusando o nosso país de ser explorador. Ele teria razão, se não fosse um pequeno detalhe: o Paraguai não gastou um único centavo com a construção da mega hidrelétrica. Tudo foi suportado pelo contribuinte brasileiro.

Para se ter uma ideia da dimensão de Itaipu, que continua sendo a maior hidrelétrica do mundo, mais de 40 mil operários participaram da obra. Foram 13 anos de construção, sendo gasto 15 vezes mais concreto do que no Eurotúnel que liga a Inglaterra à França. Aliás, 15 mil operários levaram sete anos escavando a construção do Eurotúnel, porém o volume de escavação na construção de Itaipu é 8,5 vezes maior do que o do empreendimento europeu. Itaipu é tão grande que hoje, 26 anos depois de sua construção, o Paraguai só consegue consumir 5% dos 50% da energia que lhe cabe na sociedade.

Nessa sociedade, o país vizinho só entrou com a cara. É como se um empresário convidasse um mendigo para construir um shopping no lugar onde este dormia. O mendigo teria 50% de direito na sociedade, sendo que sua quota financeira no empreendimento seria paga com o faturamento do shopping quando entrasse em funcionamento. Mutatis mutandis (feitos os ajustes necessários), foi isso o que aconteceu no referido empreendimento. O Paraguai não teria a menor condição de arcar financeiramente, pois o investimento representava várias vezes o seu PIB (Produto Interno Bruto). Então o Brasil assumiu o ônus financeiro, sendo que a parte do Paraguai ficou para ser paga com excedente da energia que lhe cabe na sociedade, e não consegue consumir.

Pelo acordo, o Brasil comprava o excedente da energia a preço de custo, sendo que a quitação da dívida do Paraguai ocorrerá no ano de 2023. A compra pelo preço de custo era justa, pois o investimento fora realizado apenas pelo contribuinte brasileiro. Não é razoável o Paraguai, que nada investiu, querer ter lucro em cima do investimento brasileiro. É muito o que aquele país já ganhou, porquanto desde a construção, no início da década de setenta, ele vem se beneficiando, pois milhares de empregos diretos e indiretos contemplaram tanto brasileiros como paraguaios, e a estes só coube o bônus; alem disso, em 2023, com a quitação da dívida na sociedade, o Paraguai será dono de 50% de um empreendimento de muitos bilhões de dólares, várias vezes superior ao seu PIB.

Por ter cedido ao capricho do presidente Paraguaio, Lula onerou o contribuinte brasileiro em 300% do valor da energia adquirida da quota do Paraguai, cujo investimento foi brasileiro. O presente de Lula foi aprovado pelo Congresso Nacional em maio desde ano. A “justificativa” para a aprovação é que o aumento do valor da energia, que representará algumas centenas de milhões de dólares a jorrar nos cofres paraguaios todos os anos, não será repassado ao consumidor, pois os recursos sairão do Tesouro Nacional. A pergunta que se faz é quem banca o Tesouro Nacional? É o Lula com suas palestras? É o Celso Amorim com suas aulas? Ou...

É o espoliado contribuinte brasileiro que trabalha mais de cinco meses por ano somente para pagar impostos e terá mais uma conta a ser suportada em razão dos caprichos megalomaníacos de uma pessoa, que nunca deu duro para estudar (há estudantes no interior da Amazônia que saem de suas casas 11 horas da noite para estudar no outro dia. Lula não precisaria fazer tal sacrifício, mas ele preferiu não estudar...), bem como se aposentou muito cedo, não sabendo como é duro trabalhar para pagar impostos.

A propósito, em apenas oito anos de mandato, Lula endividou o Brasil em um trilhão de reais (dívida pública interna), o que representa mais de seiscentos bilhões de dólares. Em 20 anos de governo, os militares endividaram o país em 100 bilhões de dólares, ou seja, em apenas oito anos, Lula endividou o Brasil seis vezes mais do que os militares endividaram em 20 anos de governo, sendo que os milicos fizeram várias obras gigantescas como, por exemplo, a Hidrelétrica de Itaipu; enquanto Lula apenas prometeu, mas não fez nenhuma obra de porte grande. A infraestrutura do país continua a mesma do século passado. E mais. Ao contrário dos governos Sarney, Collor, Itamar e FHC que passaram por situações de instabilidade econômica, sendo necessário investir em vários planos econômicos, Lula não precisou investir em nenhum plano, pois apenas continuou com o Real.

Pois é, além de Lula ter saído passeando pelo mundo, torrando o dinheiro suado do imposto do contribuinte no luxuoso Aerolula, ele fazia muita “caridade”, perdoando dívidas de países devedores do Brasil. A paixão dele era por ditadores; por exemplo, ele perdoou dívida do Gabão, governado por um ditador, acusado de possuir bilhões de dólares em paraísos fiscais. Se não bastassem a roubalheira com a corrupção interna, os gastos astronômicos com cabide de empregos e exageradas mordomias, o grande “estadista” distribuía benesses mundo a fora. Tudo, claro, custeado pelo contribuinte brasileiro.

Lula, o Papai Noel de ditadores, saiu, mas a conta ficou. A dívida interna está quase chegando a dois trilhões de reais. A externa, que disseram ter sido paga em 2005 (e muita gente acreditou...), está quase chegando a 300 bilhões de dólares. Os efeitos disso repercutem diretamente no emprego das montanhas de recursos arrecadados com os impostos. Só nos cinco primeiros meses do ano, foram arrecadados meio trilhão de reais. Grande parte desse gigantesco recurso deve ter sido utilizada para pagar juros da dívida, principalmente a interna, outra robusta parte deve ter vazado pelo ralo da corrupção, uma parte menor, mas de bom tamanho, deve ter sido utilizada para fazer publicidade, a fim de ocultar a verdadeira realidade, sobrando muito pouco como retorno à sociedade. É por isso que o Brasil está com a infraestrutura do século passado, e a educação, saúde, segurança e outros serviços públicos são prestados em condições piores as de países do Terceiro Mundo.

A propósito, no livro “Viagens com o Presidente”, editora Record, 2ª edição, p.93, está registrado para que gerações futuras saibam, já que a atual parece não querer saber, o critério utilizado pelo ex-presidente Lula para “conquistar o mundo”. O registro consigna a grande importância do atual ministro da Defesa, Celso Amorim, no magnífico trabalho desenvolvido pelo ex-presidente, que hoje ensina o que fez nas suas palestras. Vejamos o registro:

“Nas viagens internacionais, (Lula) tem outra mania. Logo no início do trajeto de volta ao Brasil, chama o ministro Celso Amorim e um oficial da Aeronáutica à sua cabine e, com a ajuda de um grande mapa-múndi, trata de ficar imaginando quais poderiam ser as próximas nações a serem visitadas. A rotina, então, é questionar Amorim sobre as características dos países apontados por ele no mapa, e ao militar pergunta a respeito de questões técnicas das rotas imaginadas, como escalas e trajetórias viáveis à aeronave.”

Como se vê, Celso Amorim, ex-ajudante do Papai Noel de ditadores, foi muito importante no governo passado e agora o será no Governo Dilma, ainda mais contando com o assessoramento do ex-guerrilheiro José Genoíno. Para quem não sabe, Genoíno participou da chamada Guerrilha do Araguaia, ou melhor, ele quase participou, pois antes mesmo que fosse dado o primeiro tiro, o nosso herói desistiu da luta. Não só desistiu, como ajudou a seus companheiros a desistir.

Havia cerca de 90 guerrilheiros na Selva Amazônica. Os militares não tinham certeza da existência deles, então enviaram cerca de dez homens do serviço de inteligência para a região. Quando os guerrilheiros souberam que os milicos estavam na área, eles fizeram igual àqueles “corajosos” trezentos e poucos bandidos, armados de fuzis, que fugiram do morro igual a galinhas assustadas com medo da raposa, quando dois pequenos tanques com duas dúzias de policiais subiram o morro. Os “valentes” guerrilheiros fizeram o mesmo, tomaram doril e sumiram na densa selva, deixando para trás o acampamento e um faminto cachorro vira lata.

Genoíno foi pego no meio do caminho, interrogado pelos milicos, ele disse que se chamava “Geraldo” e que era um caboclo da região. Os militares pediram para ver a mão dele e observaram que era igual a do Lula (a mão do caboclo é grossa, devido ao trabalho duro). “Geraldo” foi conduzido para o acampamento abandonado. Lá chegando foi “dedurado” pelo vira lata que foi para cima dele abanando o rabo e fazendo ruídos característicos de cães que pedem desesperadamente comida. Com a certeza de que “Geraldo” não era Geraldo, os militares disseram que se ele não colaborasse, seus “documentos” seriam extraídos com o próprio facão (ele portava um facão na cintura, quando foi pego) e serviriam de fonte de proteína para o animal faminto.

Apavorado com o “argumento” dos militares, Genoino abriu o verbo. Informou o nome falso que cada guerrilheiro usava, posição que ocupava na guerrilha etc. Além disso, tirou foto e fez declaração a seus companheiros para que se entregassem. O material foi confeccionado em panfletos e jogado de helicópteros no meio da selva. A estratégia funcionou, a maioria se entregou e quem não seguiu o conselho de Genoino virou presunto.

Portanto, Genoino tem todos os requisitos para o importante cargo que exerce, inclusive foi condecorado em maio deste ano com a “Medalha da Vitória”. Ele faz jus à condecoração, pois é um vitorioso, ponha vitorioso nisso...

Com efeito, a experiência e o elevado espírito nacionalista do ex-chanceler Celso Amorim e mais a coragem do ex-guerrilheiro José Genoino, os brasileiros podem ficar tranquilos: a defesa do país está em boas mãos; boas, não, ótimas...

Por Manoel Pastana
Procurador da República e Escritor